Psicoterapia Ou Orientação Profissional? Qual É Melhor Para Mim?

 

Hoje teremos um post convidado da minha colega de pós, Marina Pandolfi!

Marina Pandolfi Miranda é psicóloga e aprimoranda em Orientação Profissional e de Carreira pela Universidade de São Paulo (USP). Realiza atendimentos individuais em Psicoterapia e Orientação Profissional e de Carreira com adolescentes e adultos.


O que seria mais adequado buscar no momento em que me encontro: Psicoterapia ou Orientação Profissional? Vamos ver algumas informações para entender as diferenças (e semelhanças) destes serviços!

Primeiramente, existe algo que precisamos deixar bem claro: a Psicoterapia não exclui um processo de Orientação Profissional e vice-versa, okay? Uma pessoa pode realizar esses dois serviços simultaneamente (com profissionais diferentes) ou em momentos diferentes.

Então, até onde vai a Psicoterapia e quando é pertinente buscar Orientação Profissional? Quem são esses profissionais e como acontece esse processo? Qual é a fronteira entre um e outro?

 

como é e para que serve psicoterapia?

Também chamada simplesmente de "terapia" e às vezes de “análise”, a Psicoterapia é um atendimento feito por um psicólogo com o intuito de produzir saúde e bem estar para a pessoa que busca o serviço.  

Então eu vou pro psicólogo pra desabafar? Podem existir momentos que sim, que é necessário desabafar sobre uma situação que ocorreu em sua vida, mas a Psicoterapia é muito mais que isso. Nós realizamos intervenções através do que é trazido pelo paciente, o que pode desencadear uma sensação de leveza quando se sai da terapia, mas também pode produzir um certo incômodo (necessário para o processo).

Comumente, uma pessoa busca Psicoterapia para lidar com:

  • Situações difíceis da vida: acha que no desenrolar das situações cotidianas as coisas não têm acontecido de uma forma saudável;

  • Alguma dificuldade que a incomoda: não tem conseguido se concentrar em sala de aula, tem dificuldade de se expor, de lidar com pontos de vista diferentes, de lidar com suas emoções...;

  • Luto: alguém querido faleceu, algum relacionamento amoroso ou de amizade está enfraquecido ou se rompeu ou até mesmo está em luto por ter sido demitido ou optado por mudar de emprego;

  • Conflitos familiares: em casa não está legal, tem tido problemas com os pais, irmãos, primos, tios, existem conflitos de valores e ideias e isso tem causado discussões que não estão fazendo bem;

  • Traumas: a pessoa passou por alguma situação muito marcante na vida que a incomoda até hoje, mas nunca conseguiu contar para alguém;

  • Autoconhecimento: quer se entender melhor para conseguir tomar decisões interessantes, fazer escolhas mais ajustadas ao seu estilo de vida. 

Esses são só alguns exemplos, existem vários outros motivos para alguém buscar ajuda profissional de um psicólogo. E é bom lembrar que pedir ajuda é um ato de coragem e otimismo. Não tem nada de feio e/ou errado em buscar ajuda, não é?

A Psicoterapia pode seguir diversas linhas teóricas existentes, dependendo do psicólogo. Dessa forma, pode-se perceber diferenças na forma que cada um vai conduzir os atendimentos. Algumas das linhas que você já pode ter ouvido falar: Psicanálise, Psicologia Comportamental, Gestalt Terapia, Psicoterapia Junguiana, Psicologia Corporal, dentre outras.

Existe alguma linha teórica melhor que as outras? Não. Todas são interessantes e possuem embasamento para a prática, o mais legal é você se identificar e sentir que pode confiar no psicólogo (que deve estar cadastrado no Conselho de Psicologia). 

 

E a Orientação Profissional? Como seria?

A Orientação Profissional pode ser feita de várias formas. Vai depender do profissional, sua formação, seus valores, seus estudos na área... Mas, claro, é importante estar ligado se o profissional é ético, regularizado e se, claro, você se identifica com ele.

Neste serviço, existe um foco definido: trabalhar questões relacionadas à identidade profissional, ao estudo, ao trabalho, à carreira e ao futuro profissional (diferente da Psicoterapia, que vai de acordo com as questões que o paciente traz).

Mas é possível falar sobre trabalho, carreira e futuro sem falar sobre a minha história de vida, sobre questões familiares, sobre minhas angústias? Não, sempre se falará de outros assuntos da vida e isso é muito importante, mas o atendimento sempre será direcionado para o tema principal: orientação profissional. Mas é certo que, caso as demandas fora da Orientação Profissional sejam muitas, o psicólogo pode indicar um encaminhamento para Psicoterapia.

Alguns dos assuntos que podem ser trabalhados na Orientação Profissional:

  • Autoconhecimento: é muito importante se conhecer, entender seus gostos e vontades, suas habilidades, suas influências familiares e sociais e suas expectativas, para que se possa alinhar essas questões com seu planejamento de carreira;

  • Escolhas: é interessante perceber como você faz escolhas na vida, para que se possa entender também suas escolhas em relação ao trabalho. Como você escolhe um namorado, um restaurante ou um filme pode falar muito sobre como você escolhe o seu futuro;

  • Informação profissional: conhecer as instituições de ensino (universidades públicas e particulares), os cursos (grade curricular, experiência de pessoas que fizeram o curso, o que sido estudado atualmente), o mercado de trabalho (existe oferta de trabalho na área em que quero trabalhar? Como está a economia neste tipo de trabalho? Salário? Onde posso atuar?) são informações necessárias para que se possa escolher um futuro de forma consciente;

  • Futuro: fazer o esforço de se imaginar daqui alguns anos é uma tarefa bacana pra quem está pensando em futuro - imaginar onde quer estar, fazendo o que, morando onde, com que estilo de vida... Este exercício faz com que a pessoa pense nas consequências das suas escolhas.

Outros assuntos e formas de trabalhar na Orientação Profissional podem surgir, vai depender do andamento dos atendimentos e do profissional. Neste sentido, este serviço tem o objetivo de trabalhar de forma preventiva, ou seja, a pessoa tem a oportunidade de pensar seu futuro profissional antes de começar a realmente pô-lo em prática. Isso faz com que ela consiga ter mais maturidade e confiança na universidade ou no mundo do trabalho.

Isso tudo e muito mais pode ser feito através de um espaço de conversa entre psicólogo e cliente, mas alguns profissionais também utilizam testes, questionários, escalas e outras ferramentas. O teste não vai garantir nenhuma resposta mágica para suas questões, ele é somente uma ferramenta pra auxiliar o psicólogo, mas a Orientação Profissional também pode ser feita sem o uso de testes.

E um último detalhe: a Orientação Profissional termina no curto ou médio prazo, não é algo que se estende por muitos meses, já que o foco é trabalhar algumas escolhas e adquirir informações profissionais. Então, quando a pessoa estiver esclarecida sobre essas questões, o processo já pode ser finalizado para que ela siga seu caminho, lembrando sempre que caso sinta necessidade, ela pode voltar para atualizar alguma coisa no seu projeto profissional ou iniciar um processo de Psicoterapia.


Marina Pandolfi Miranda é psicóloga e aprimoranda em Orientação Profissional e de Carreira pela Universidade de São Paulo (USP). Realiza atendimentos individuais em Psicoterapia e Orientação Profissional com adolescentes e adultos na Vila Mariana, São Paulo (próximo ao metrô Santa Cruz). Entre em contato através do e-mail marina.pandolfi@yahoo.com.br ou pelo telefone (11) 94245-5396.