8 Passos Para Começar a Ter Uma Vida Financeira de Adulto (+ Um Orçamento Para Baixar)

 

Não que todos os adultos administrem bem o próprio dinheiro. Usemos o termo “adulto” simplesmente para falar dessa fase maravilhosa em que passamos a ser praticamente independentes em praticamente todos os aspectos da vida. Mesmo que isso seja assustador de vez em quando.

Confissão: eu adoro dinheiro (oh meu Deus, uma psicóloga que diz que adora dinheiro, que problemático, que pecaminoso).

Ok, então deixe-me refrasear: eu adoro mexer com dinheiro. Adoro ver como meus objetivos que dependem de dinheiro podem se realizar se eu souber o que fazer com ele.

Cada um de nós tem vidas diferentes e circunstâncias diferentes, então vamos parar de fingir que somos todos iguais. Talvez você receba ajuda financeira dos seus pais, talvez não. Talvez você tenha guardado dinheiro durante a faculdade, talvez não. Talvez você esteja trabalhando e tenha renda, talvez não. Talvez você more com seus pais e não precise pagar contas da casa, talvez não. Pegue o que for útil pra você e ajuste de acordo com a sua vida, reconhecendo e agradecendo suas oportunidades. 

Não é para tentar fazer tudo dessa lista de uma vez. Faça aos poucos, sem pressa, na boa, no seu ritmo. Lembre-se de que se você está no passo #1, você já está melhor com dinheiro do que você estava hoje de manhã.

E pra deixar esse tema de dinheiro mais amigável, vai ter duas Jessicas Huangs neste post: eu que vos escrevo e a mãe do Fresh off the Boat (porque tem uma personagem incrível com o mesmo nome que o meu e eu fiquei feliz quando descobri).

 

Passo #1: Pegue suas finanças nas suas mãos

Muitas vezes nós temos pensamentos autolimitantes que nos impedem de entrar no mundo das finanças pessoais. “Eu não sou bom de matemática”, “Eu não gosto de pensar em dinheiro”, “Meu pai/irmão/companheiro sabe lidar com dinheiro melhor que eu então deixa ele cuidar”...

Mas eu juro: não é difícil. É até divertido.

Um exemplo: eu, irmã mais nova, psicóloga, ajudo nas decisões de investimento do meu irmão mais velho, engenheiro. Pra você ver que habilidade com dinheiro não tem nada a ver com área de formação, idade ou gênero.

Passo1.png

Moças: não tem nada impedindo vocês de serem boas com dinheiro. Moços: educação financeira não vem com o cromossomo Y. Todos nós temos que aprender a mexer com dinheiro uma hora ou outra, e isso só se faz sentando e aprendendo e depois colocando as coisas em prática pra ver o que funciona pra você.

E se você é rico ou vem de uma família rica e acha que o seu dinheiro nunca vai acabar, vai um conselho: quem não se importa com dinheiro é quem mais precisa se importar com dinheiro.

Porque quando você acha que seu dinheiro nunca vai acabar, você gasta ele sem pensar, sem critério nenhum, como se estivesse saindo por aí distribuindo dinheiro. E ter um monte de dinheiro e não saber administrá-lo significa deixar-se à mercê de gerentes que possivelmente vão colocar o seu dinheiro em aplicações que são ótimas pro banco mas não necessariamente ótimas pra você, enquanto você está -se achando- porque tem um gerente simpático que te atende com hora marcada servindo café.

 

Passo #2: Saiba quanto você ganha (de verdade) e quanto você gasta (de verdade)

Uma pessoa que ganha R$20.000,00 todo mês e gasta R$20.000,00 todo mês é mais pobre que uma pessoa que ganha R$4.000,00 por mês e gasta R$3.000,00. A que ganha R$20.000,00 tem um estilo de vida mais caro (e supostamente mais agradável?), mas a que ganha R$4.000,00 é mais rica.

Saber quanto você ganha (de verdade) significa saber não quanto você recebe, mas quanto fica pra você depois dos impostos, do INSS e qualquer outra taxa que você paga.

E a melhor forma pra saber quanto você gasta (de verdade) é anotar seus gastos. Se isso soa chato, tente anotar só por uma semana. Trate como um experimento, sem compromisso. Isso não é algo que precisa ser feito pra sempre (mas se você gostar pode continuar pra sempre também).

Você pode anotar seus gastos à mão em um caderno, em uma planilha do Excel ou em um aplicativo, o que você preferir. Eu uso um aplicativo em inglês chamado Wally, que pra falar a verdade não é tão eficiente, mas é bonitinho e é suficiente para o que eu quero. Outro aplicativo famosão (e brasileiro) é o GuiaBolso, que tem várias funcionalidades tipo conectar a sua conta e seus cartões pra ele registrar as transações automaticamente.

Mas lembre-se que no final, o mais importante não é exatamente quanto você ganha nem quanto você gasta. O que importa é gastar menos do que você ganha.

Wally fofo

Wally fofo

GuiaBolso super eficiente

GuiaBolso super eficiente

Passo #3: Crie um orçamento sexy

“Orçamento” não parece uma coisa sexy assim de cara, mas olha só: um orçamento é apenas um plano geral de como você vai usar o seu dinheiro, de acordo com as suas prioridades.

Passo3.png

Quando você faz um orçamento, você talvez chegue à conclusão de que pode gastar, por exemplo, R$300,00 todo mês com restaurantes, cafés e livros, aí você pode ir lá gastar R$300,00 todo mês com restaurantes, cafés e livros sem culpa nenhuma. Na verdade você vai poder ir lá com pose, confiança e alegria. E isso é sexy.

Tem uma fórmula que sugere que você gaste 50% da sua renda mensal com coisas essenciais (casa, comida, transporte...), 20% com pagamento de dívidas/poupanças e 30% com coisas não essenciais que te deixam feliz ou facilitam a sua vida (Polishop: novas ideias facilitam a sua vida!), tipo viajar, comer fora, ter um pet, fazer academia ou comprar jogos.

Essa é a regra 50/20/30, mas não é nenhuma lei nacional. Finanças pessoais são - tantantaam - pessoais, então ache as porcentagens que fazem sentido com a sua vida e os seus objetivos.

Além disso, tem uma discussão sobre o que é realmente essencial. Celular é essencial? Telefone é essencial? Internet é essencial? Carro é essencial? Depende da sua vida. A conclusão é que mesmo que algumas coisas entrem em “essencial”, em um momento de crise financeira dá pra tirar uma ou outra coisa dessa categoria.

E porque eu sou estranha e gosto de planilhas, tem um orçamento prontinho pra baixar aqui na biblioteca secreta do blog!

Ele tem duas abas, então prestenção: a primeira aba é um orçamento bonitão com váaarias categorias pra você adaptar de acordo com a sua vida. Mude, delete, adicione, dance em cima, faça o que quiser com ele. A segunda aba é uma calculadora de orçamento. Você coloca a sua renda mensal e ela te devolve os valores certinhos de acordo com a regra 50/20/30, se você precisar de uma sugestão inicial ou se quiser comparar suas despesas com essa regrinha.



Passo #4: Se você tiver alguma dívida, mate-as. Assassine-as. E nunca mais faça novas dívidas.

Eu tive a sorte e o privilégio de nunca ter dívidas, então não sou a melhor pessoa para falar sobre elas. Mas vão as dicas clássicas:

  • Se você está em um buraco, pare de cavar. A.k.a. pare de aumentar as dívidas.

  • Se você tem mais de uma dívida, pague primeiro a que tem juros mais altos. Não adianta ficar pagando valores pequenos todo mês se no mês seguinte os juros já desfizeram os seus esforços e a dívida voltou pro valor original.

  • Se der pra acabar com uma dívida antes do prazo, vai nessa. A não ser que você esteja pagando com rendimentos de uma aplicação que tem juros maiores que os juros da dívida. Mas acho que se você está fazendo isso, você já manja dos dinheiros e não estaria lendo este post.

Passo4.png

 

Passo #5: Tenha um fundo da tranquilidade

Isso é geralmente chamado de “fundo de emergência”, mas eu não gosto desse nome porque eu acho que se você ficar falando “fundo de emergência fundo de emergência fundo de emergência” adivinha o que você consegue? Uma emergência.

Passo5.png

Então eu chamo de fundo da tranquilidade, porque é exatamente isso que esse fundo traz.

Essas são as suas economias pra eventos imprevisíveis da vida, porque a vida tem eventos imprevisíveis. Tipo bater o carro ou precisar sair de um emprego porque você é vítima de assédio moral. Ou coisas mais positivas também, tipo aceitar uma oportunidade de ir pra um congresso em outro país ou adotar um gatinho que você encontrou em uma caixa de sapato na rua (own).

Recomenda-se que o fundo da tranquilidade tenha de 3 a 6 meses de despesas essenciais. Não é o total das suas despesas porque você provavelmente vai sair menos pra restaurantes se estiver sem uma fonte de renda.

E sério, é tão bom ter esse fundo. É uma sensação incrível saber que você não depende de um único trabalho pra poder comer nos próximos 6 meses.

Ter esse fundo é a diferença entre poder mandar o seu chefe se ferrar (metaforicamente, é claro, na vida real a gente é mais polido) ou ter que continuar em um lugar que te faz mal porque é a sua única opção.

Coloque esse fundo em alguma aplicação de alta liquidez, o que significa que você consegue resgatar o valor rapidamente e a qualquer momento. Alguns exemplos são o Tesouro Selic e CDBs de liquidez diária (se você nunca ouviu essas palavras, calma. Continua lendo que falo um pouco mais disso lá na frente.)

 

Passo #6: Coloque dinheiro na sua aposentadoria (que não é o INSS e nem precisa estar em uma previdência)

Estamos no meio de uma reforma da previdência, e eu não sei você, mas eu não confio que ainda vai ter dinheiro público pra pagar pela minha aposentadoria quando a pirâmide etária do Brasil estiver mais larga no topo e mais estreita na base.

Então eu prefiro cuidar disso eu mesma. 

Se ainda tiver INSS até lá, ótimo, é bônus, meus gatos vão comer ração premium. Se não tiver, tudo bem, minha aposentadoria já vai estar lá de qualquer jeito. 

Passo6.png

A sua aposentadoria não precisa necessariamente estar aplicada em uma previdência. Nem precisa estar em uma única aplicação. Mas acho que é melhor colocar em investimentos de baixo risco de médio e/ou longo prazo e com baixa liquidez pra evitar a tentação de tirar dinheiro de lá a qualquer momento. 

Pra saber quanto contribuir para a aposentadoria, você pode pegar o valor total de dinheiro que você quer ter até certa idade e fazer as contas de quanto você precisa colocar todo mês (ou todo ano) pra chegar nesse valor. Lembrando que você terá a ajuda mágica dos juros compostos.

É meio complicadinho calcular o valor exato que queremos ter na aposentadoria, especialmente se o plano é acabar com todo o nosso dinheiro até morrermos mas aí acabarmos vivendo mais do que imaginávamos (o risco da longevidade).

Então você também pode ficar com uma sugestão de valor padrão, que é 10 anos de despesas normais. Depois dá pra ir ajustando esse valor, conforme formos vivendo e chegando mais perto dessa realidade.

 

Passo #7: Defina outros objetivos financeiros da sua vida, sabendo que será necessário fazer escolhas

Depois que você já está cuidando do seu fundo da tranquilidade e da sua aposentadoria, você pode começar a definir outros objetivos que dependem de dinheiro, como estudar fora, viajar durante um ano sabático, fazer uma pós-graduação ou até comprar um apartamento. Aí depende totalmente de você e do que você quer pra sua vida.

Objetivos podem ser de curto prazo (1-2 anos), de médio prazo (5-10 anos) ou de longo prazo (mais de 10 anos).

Talvez você queira um cachorro. Talvez você queira viajar ao redor do mundo. Talvez você queira uma super festa de casamento. Talvez você queira comprar um carro e um apartamento. Talvez você queira oito filhos. Talvez você queira viver de renda aos 35 anos. 

Seja lá o que você queira, veja quais são as suas possibilidades de guardar+investir dinheiro e comprometa-se com o seu objetivo.

Você provavelmente vai conseguir viajar ao redor do mundo, ter um cachorro, ou comprar um apartamento, mas provavelmente não vai dar pra ter o cachorro + a viagem + a super festa + o apartamento + o carro + os oito filhos + viver de renda aos 35 anos (ou vai, sei lá da onde você tá saindo né).

E lembre-se de que as escolhas pessoais de alguém não são um ataque à forma como você vive a sua vida. Se uma pessoa não quer comprar um apartamento ou um vestido de noiva ou roupas de marca, isso não é uma crítica a quem quer. É pra cada um fazer o que faz sentido para si mesmo e que está dentro das suas possibilidades.

Passo7b.png

 

Passo #8: trate o seu dinheiro como coelhos saudáveis e continue a aprender a investir

Se você deixa o seu tão suado dinheirinho acumulando na conta corrente, eu quero amorosamente te dar um tapa na cabeça.

Você está perdendo dinheiro pra inflação e isso não é legal.

Tem muita coisa para falar sobre investimentos, tanta coisa que eu quero falar mais disso no futuro, mas vou pelo menos deixar algumas dicas iniciais.

Tem 2 tipos de investimentos:

  • Renda fixa
  • Renda variável

Renda fixa é o mais simples. É O Lugar pra começar a aprender a investir, então vou focar nela por enquanto.

Renda fixa é quando você investe seu dinheiro sabendo quanto ele vai render. Isso pode ser em valor ou em porcentagem. Por exemplo, você investe R$1000,00 em alguma coisa sabendo que vai receber R$1100,00 daqui um ano, ou você investe R$1000,00 em alguma coisa sabendo que ele vai render a Selic do período (que é a taxa básica de juros do país). Você não sabe exatamente quanto vai ser a Selic ao longo do ano, mas você sabe que vai render a mesma porcentagem que a Selic, por isso é renda fixa. 

E aplicações da renda fixa podem vir de dois lugares: 

  • Investimentos públicos (que é igual a Tesouro Direto. Qualquer coisa que começar com "Tesouro" é do Tesouro Direto)
  • Investimentos privados (emitidos por bancos e empresas. É todo o resto)

Se já foi muita coisa pra processar até aqui e você não consegue mais pensar, tudo bem, coloca o dinheiro na poupança, que rende em torno de 8% ao ano. É meio ruinzinho mas é melhor que deixar na conta corrente perdendo valor todo dia.

Se você está começando a aprender sobre investimentos, quer tirar o dinheiro da poupança mas ainda não está seguro sobre como investir, sugiro colocar no Tesouro Selic. Ah, mas a Selic tá caindo. Sim, a Selic tá caindo mas ainda tá alta pra caramba. E a poupança nunca vai render mais que o Tesouro Selic porque se a Selic ficar abaixo de 8,5%, a poupança vai render 70% da Selic.

Mas pelo amor de Deus, não tira esse dinheiro antes de completar 1 mês que você investiu. Senão você vai pagar IOF (um imposto sobre operações financeiras) e pode acabar perdendo dinheiro ou tendo uma rentabilidade menor que a da poupança. Depois de 1 mês o IOF some dos investimentos e tá tudo certo.

E também pelo amor de Deus investe através de uma corretora que não tem taxa de administração pro Tesouro Direto. Você pode comparar a taxa de todas as corretoras nessa página.

E se você está na boa e quer continuar aprendendo a investir, vai lá!

Eu pessoalmente comecei aprendendo com esse e-book do Finanças Femininas e depois fiz um curso online sobre renda fixa bem denso e completo com o André Massaro, mas esse é um curso que só abre de vez em quando e é pago (mas vale muito a pena). Tem também um curso online e gratuito da BM&FBOVESPA, que também é apresentado pelo André Massaro, e muitos e muitos livros introdutórios e muitos e muitos livros mais avançados sobre finanças pessoais e investimentos.

Passo8.png