6 Coisas Que Você Leva em Consideração na Escolha Profissional e Não Admite (Logo de Cara)

 

Existem muitos motivos sólidos para escolher um curso superior. Você conhece a realidade profissional daquela área e se vê trabalhando naquilo. Você já teve várias experiências diferentes e percebeu que se sente atraído por um certo tipo de atividade ou conhecimento, e gostaria de se aprofundar nisso. O que você deseja para a sua vida combina com uma formação em uma determinada área. Etc etc.

Mas também tem os fatores menos "nobres" que, para falar a verdade, sempre acabam entrando na nossa escolha profissional, estejamos conscientes ou não. E que a gente nunca vai falar logo de cara como um dos motivos da nossa escolha de curso. 

Provavelmente não é uma boa ideia escolher uma profissão exclusivamente por algum dos motivos neste post (yo, sinal vermelho se a sua escolha é baseada em coisas dessa lista). Mas também não faz mal rir um pouco de nós mesmos e admitir que pensamos em coisas meio nada a ver para escolher um curso superior. 

Sei que eu, pelo menos, fui culpada de mais da metade do que está aqui.

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1. O que as outras pessoas vão pensar de você

Nós adoraríamos dizer que somos seres totalmente autônomos e maduros que não dão a mínima para o que os outros pensam de nós. "O que as outras pessoas pensam de mim não é problema meu", certo? 

Mas acontece que nós, humanos, somos seres sociais, que se importam sim com o que os outros pensam da gente. Ou o que a gente acha que os outros pensam da gente. 

É assim que muitas pessoas escolhem Medicina por motivos vagos como "quero salvar vidas". Se fosse só por isso essa pessoa também poderia ser bombeira. Mas na sociedade em que vivemos, costuma-se admirar mais a pessoa que passa em Medicina do que a pessoa que se torna bombeira, e a gente sabe disso. Por uma série de razões sociais e históricas e blábláblá. 

E isso não acontece só com Medicina. Muitas outras escolhas são feitas levando em consideração o que os outros vão pensar de nós. Artes Visuais porque eu quero ser vista como uma pessoa livre e criativa. Psicologia porque eu quero ser visto como um intelectual que guarda os segredos da mente humana. Administração porque eu quero que os outros me vejam como alguém flexível, adaptável e empreendedor. E por aí vai.

Isso faz parte da nossa escolha. Quando escolhemos uma profissão, estamos dizendo que queremos nos tornar um certo tipo de pessoa, e queremos que os outros também nos vejam desse jeito.

O problema é quando só se pensa nisso, porque esse é um critério superficial que não vai te manter em um curso durante as dificuldades que todo curso tem. 

 

2. O personagem incrível daquela série

Você sabe qual.

A advogada badass. O médico mal educado. O detetive forense da hora. Quem você quiser.

Os modelos que criamos e adquirimos durante a vida têm um papel muito importante na nossa escolha profissional. É natural querer ter a mesma profissão de uma pessoa que admiramos (pai, mãe, tio, professor...). Desejamos ser que nem aquela pessoa, e supomos que ela é desse jeito por causa da profissão que ela exerce, então queremos ter a mesma profissão que ela. 

Os personagens de filmes e séries também fazem parte do nosso universo de modelos a seguir. E não tem nada de errado nisso. Mas dificilmente alguém vai dizer de primeira que quer fazer Direito por causa da moça do How to get away with murder. 

Isso soa ingênuo porque - duh - é uma personagem de TV e a TV não é a realidade. Mas tem algo de verdade nisso. Essa personagem virou um modelo pra você. E daí? Ela é legal mesmo, ué. É só não entrar na faculdade achando que o curso e a profissão é o que passa na TV. Mas tudo bem ter o seu interesse despertado para uma profissão por causa de uma pessoa específica, mesmo que seja uma personagem fictícia. 

 

3. A nota de corte dos cursos

Imagina uma pessoa que abre a lista de aprovação da primeira fase dos vestibulares e vai olhando só a coluna das notas de corte, anotando os cursos com as notas mais baixas pra escolher entre eles. Então, essa pessoa existe de verdade. E já existiram muitas delas (ou que fazem o contrário, veem só os cursos com as notas mais altas porque não querem entrar em coisa que "qualquer um" entra).  

Não que alguém vá escolher algo totalmente nada a ver, como prestar Matemática apesar de odiar Matemática. Mas se a pessoa tem algum interessezinho em Matemática do colégio (que já aviso, é muito diferente de Matemática da faculdade) e quer muito estudar na faculdade X mas não acha que vai conseguir uma super nota no vestibular... É bem possível que ela escolha Matemática só para entrar na faculdade X. Mesmo que o curso não seja o que ela quer. Porque para ela, faculdade > curso. 

Pode ser que a pessoa se encontre no curso, pode ser que ela desista no primeiro ano, pode ser que foi tudo parte de um plano para entrar na faculdade X e pedir transferência interna para outro curso. Sei lá. Mas acho que é melhor ver outras coisas além da nota de corte, até porque transferência interna não é sempre uma coisa tão garantida e cada faculdade tem suas próprias regras. 

(E isso é uma coisa totalmente diferente de ter noção das notas de corte para saber suas chances reais de passar. Também não adianta insistir em um curso mega difícil sabendo que você, por qualquer motivo que seja, muito provavelmente não vai passar. Eu sei que o discurso padrão é "se você quer, você consegue", mas sejamos realistas.)

 

4. Pra onde vai o(a) namorado(a)/crush/ficante/seja-lá-do-que-vocês-chamam-hoje-em-dia

Sabe como é. Pra ficar perto, pra almoçar junto, pra ficar de olho, pra não parecer menos capaz do que ele/ela, etc etc. 

Escolher faculdade com 16-18 anos é um saco mesmo. 

De novo, é só a escolha não ser baseada somente nisso. Porque, sabe, namoros podem terminar. E muitos namoros de colégio terminam.

Então se você entrar em uma faculdade por causa de uma pessoa, você vai ter que achar outro motivo muito bom para continuar o curso caso essa relação termine. 

 

5. Coisas que não têm nada a ver com a profissão e o trabalho que aquela formação vai te dar

Teoricamente uma pessoa faz faculdade de Nutrição porque quer ser nutricionista. E uma pessoa faz faculdade de Economia porque quer ser economista. 

Mas no mundo de trabalho louco e flexível de hoje, isso nem sempre acontece. E ainda que algumas pessoas mais velhas possam levantar a sobrancelha pra isso, a galera mais nova já sacou que você não precisa necessariamente trabalhar na área que você se formou. 

(Se você não sabia disso, boom. Você não precisa necessariamente trabalhar na área que você se formou. Muita gente não trabalha. Saber disso tira um pouco da pressão de ESCOLHER UMA COISA SÓ PARA O RESTO DA VIDA - porque com certeza não é isso que você está fazendo - mas nos deixa bem confusos sobre que carreira(s) seguir. E se a gente não tá fazendo uma única escolha para o resto da vida é porque a gente tá fazendo múltiplas escolhas constantemente até o resto da vida. Você decide qual é pior.)

Mas aí dá pra levar essa flexibilidade do mundo de trabalho pra outro nível: entrar numa faculdade já com a intenção de fazer outra coisa com o curso e o diploma. Falando assim não parece uma coisa tão ruim, mas imagina pensar em fazer Pedagogia para ser uma mãe melhor no futuro (quem eu? Eu não). Se eu fosse o curso de Pedagogia eu ficaria ofendida. 

Quer um exemplo mais comum? Quantas pessoas você acha que fazem Engenharia com a intenção de trabalharem com Engenharia? Porque vou te contar, o que mais tem é engenheiro trabalhando em empresas como qualquer coisa menos engenheiro. 

 

6. O que seus pais esperam que você faça

Sempre que alguém escolhe uma profissão, ela passa pelo seguinte dilema: seguir ou quebrar o plano que meus pais têm pra mim? 

Tem pais que são explícitos sobre suas expectativas ("Por que você não faz Direito? É uma ótima carreira" ou "Faça Medicina para termos um médico na família"). E tem pais que não são tão explícitos ("Eu só quero que você seja feliz e faça algo que você goste").

Em qualquer um dos casos, a verdade é que os pais têm sim algum desejo profissional para os filhos. É inevitável. Mesmo que eles falem que não querem interferir na sua escolha e que você pode fazer o que quiser desde que seja feliz (experimenta falar pra esse tipo de pais que você não vai fazer faculdade).

Se o que você quer coincide com o que seus pais querem pra você, sorte a sua porque vai ser mais fácil seguir com a sua escolha. Mas se esse não é o caso... Pode ser bem difícil meeesmo romper com as expectativas dos nossos pais. Bagunça a família inteira. E é preciso estar com uma escolha muito bem formada pra bancar o conflito (temporário) que isso vai causar.

Muitas vezes é simplesmente mais fácil seguir as expectativas dos pais e fazer um curso que esteja de acordo com o que eles esperam de você, mas isso vai cobrar seu preço no futuro, quando você estiver lá fazendo um curso que não é exatamente o que você quer pra si mesmo. Só você pode decidir se isso vale a pena. 

 

Esqueci de algo? Tem algum fator de escolha de curso que você sente (pelo menos um pouco de) vergonha em admitir?